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Nem todas as espécies de aranhas conseguem lidar com os desafios que esperam estes insectos no seu quintal
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Quando vemos uma aranha na parede, a primeira coisa que queremos fazer – depois de um pontapé na bota, claro – é tapá-la com um copo, pôr um pedaço de papel por baixo e levá-la para o quintal. Mas, escreve o Daily Galaxy, essa aranha pode não ter sido um convidado, mas um residente permanente da casa.
Os aracnólogos dizem que algumas aranhas que aparecem dentro de casa estão adaptadas à vida nos edifícios, onde a temperatura, o abrigo e as presas permanecem relativamente estáveis. Se forem levadas para o exterior, podem ficar expostas a condições às quais não estão adaptadas.
Rod Crawford, do Museu Burke de História Natural e Cultura, escreve que não se pode “devolver” algo ao exterior se nunca lá esteve. Acrescenta ainda que algumas espécies de aranhas domésticas conseguem sobreviver no exterior, a maioria dá-se mal no exterior e algumas podem morrer rapidamente quando retiradas do seu habitat protetor dentro de casa. Isto transforma um ato familiar de bondade em algo menos reconfortante.
Os especialistas também dizem que as aranhas se habituam a determinados locais e temperaturas. O perigo não é apenas o ar frio. Uma aranha adaptada à vida no interior, colocada num jardim, pode subitamente enfrentar predadores, pesticidas e um clima instável, depois de ter vivido no calor constante de um edifício. O que parece ser uma libertação na natureza pode transformar-se numa mudança para um habitat muito mais inóspito.
Crawford diz que a aranha doméstica Parasteatoda tepidariorum é provavelmente originária do norte da América do Sul. Ela viveria muito bem ao ar livre em algum lugar do Brasil. Também chamou a atenção para a aranha gigante Eratigena atrica, originária de Inglaterra, mas que se espalhou pelo Noroeste do Pacífico. O clima de Seattle pode parecer semelhante ao de Londres, mas esta espécie quase nunca é encontrada no seu habitat natural, aparecendo antes em edifícios, pilhas de tijolos, montes de lixo e muros de contenção. Crawford disse que pode sobreviver fora dos edifícios até certo ponto, mas “sempre em abrigo artificial”.
O trabalho silencioso de uma aranha doméstica
Há outra razão pela qual os especialistas não aconselham a eliminação das aranhas de interior. Elas ajudam a regular o número de moscas, mosquitos, traças e outros insectos indesejáveis nas casas. As aranhas domésticas são descritas como inofensivas e benéficas.
Crawford disse que a maioria das aranhas que as pessoas notam em casa são de populações internas, que podem variar de 50 a várias centenas de indivíduos. Tendem a permanecer em recantos, caves e outros locais discretos, capturando pequenas pragas. Isso significa que a aranha doméstica solitária vista na parede de um quarto é provavelmente apenas a ponta visível de uma população interna maior.
É por isso que o conselho prático de Crawford é não matar a aranha e deitá-la fora. Segundo ele, a melhor opção é levá-la para outra parte da casa, como a garagem ou a cave.
Mas há lugar para excepções. Uma espécie confirmada no exterior pode ser libertada perto da casa, numa área com vegetação, se tiver sido possível identificar com precisão a espécie da aranha.
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