Uma mudança no comportamento habitual de um animal de estimação é muitas vezes ignorada até que a situação se agrave.
Os veterinários sublinham que o reconhecimento precoce do stress pode ajudar a prevenir problemas de saúde graves, informa o .
Um dos primeiros sinais é uma alteração do apetite: recusa de comer ou, pelo contrário, consumo excessivo de alimentos. Estas flutuações podem indicar um mal-estar emocional, que exige uma análise das causas.
As perturbações do sono são outro marcador importante: um animal de estimação pode dormir mais do que o habitual ou sofrer de insónias. A inquietação durante a noite está frequentemente associada a ansiedade ou dor.
A perda de interesse em jogos e passeios familiares deve alertar o dono atento. A apatia ou irritabilidade quando se tenta fazer uma atividade sugere tensão interna.
Nos gatos, o stress pode manifestar-se através de lambidelas excessivas, incluindo calvície e irritações cutâneas. Este ritual compulsivo serve como uma forma de auto-acalmação, mas é prejudicial para a saúde física.
Os cães em estado de ansiedade exibem frequentemente “olhos de baleia” – quando o branco dos seus olhos é visível, ou quando baixam a cauda e as orelhas. A linguagem corporal torna-se a chave para compreender o estado interno de um animal.
O aumento da vocalização – miar, uivar ou ladrar frequentemente e sem razão aparente – também pode ser um sinal de angústia. O animal está a tentar chamar a atenção ou a expressar a tensão acumulada.
A agressividade ou o evitar de contacto que não estava presente anteriormente é muitas vezes uma indicação de que o animal está a sentir desconforto. É importante não punir este comportamento, mas sim procurar a causa principal.
Manifestações fisiológicas como respiração rápida, tremores ou tensão muscular requerem atenção imediata. Estes sintomas podem acompanhar tanto o stress agudo como o início de uma doença.
As alterações nos hábitos de higiene – fazer poças em locais inadequados ou evitar a caixa de areia – são frequentemente de natureza psicológica. A exclusão de causas médicas deve ser o primeiro passo no diagnóstico.
Os especialistas recomendam manter um diário de observação, registando a frequência e o contexto dos sintomas perturbadores. Isto ajuda o veterinário ou o zoopsicólogo a desenvolver uma imagem exacta do estado do animal.
Criar um espaço seguro – um recanto isolado com objectos favoritos – ajuda o animal a lidar com a tensão. A oportunidade de privacidade reduz os níveis de cortisol e promove a recuperação.
As rotinas diárias regulares, a previsibilidade da alimentação e dos passeios criam uma sensação de estabilidade que reduz a ansiedade. Os animais, tal como os seres humanos, precisam de uma rotina para obterem conforto psicológico.
Difusores de feromonas, brinquedos calmantes ou música de fundo podem ser ferramentas de apoio para lidar com o stress. No entanto, não substituem a abordagem da causa principal do desconforto.
Em casos complexos, é aconselhável consultar um zoopsicólogo ou um veterinário comportamentalista. A assistência profissional permite o desenvolvimento de um programa de correção individual.
A prevenção do stress inclui a adaptação gradual às mudanças: mudança de casa, novos membros da família ou outros animais. A preparação prévia reduz o risco de desadaptação.
O estado emocional do dono afecta diretamente o animal de estimação: a calma e a confiança são transmitidas através da entoação e do toque. Trabalhar o seu próprio stress torna-se parte dos cuidados com o seu animal de estimação.
A atenção aos sinais não verbais do animal de estimação é a base de uma relação de confiança e de uma ajuda atempada. Reconhecer o stress numa fase inicial preserva a saúde e a qualidade de vida durante anos.
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