O que acontece se deixar de dizer “sim” no primeiro encontro: a regra dos 90 dias

O mundo moderno dos encontros desenvolveu um culto da ligação “química” instantânea, em que o gradualismo é visto como um atavismo.

Temos tanto medo de parecer aborrecidos ou “frígidos” que nos esquecemos: a psicologia masculina e a feminina estão organizadas de forma diferente em matéria de formação de laços, relata o correspondente do .

Um psicanalista que estuda a dinâmica das fases iniciais das relações afirma: a intimidade sexual nos três primeiros encontros anula a fase do “reconhecimento romântico”. Quando a intimidade física precede a intimidade emocional, a psique passa a avaliar o parceiro como um objeto e não como uma pessoa.

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Não se trata de moralismo, mas de fisiologia: na mulher, a oxitocina – a hormona do apego – é produzida ativamente durante os abraços e o sexo, ligando-a ao parceiro. No homem, pelo contrário, é a dopamina, associada à excitação da conquista, que predomina neste momento e que desce bruscamente depois de o objetivo ter sido alcançado.

A regra dos 90 dias de que falam os psicólogos familiares não é um jogo de azar, mas uma estratégia de filtragem consciente. Este termo permite ver uma pessoa em diferentes estados emocionais: em stress, em fadiga, no momento da discussão, sem a máscara de um “convidado de férias”.

Em três meses, a tempestade hormonal dos primeiros encontros diminui e os valores reais da pessoa vêm à superfície. Se um casal for capaz de manter o interesse sem reforço sexual durante este período, isso significa que a base é realmente uma compatibilidade profunda, e não apenas uma simpatia mútua.

Os especialistas alertam: muitas pessoas confundem a tensão sexual com a sensação de se apaixonar, confundindo o desejo com uma ligação profunda. Mas a tensão é uma energia que ou se traduz em intimidade ou se desvanece quando a descarga ocorre.

Quando um casal se precipita na intimidade, priva-se de um passo crucial – construir um “contentor emocional”. Este é um espaço onde se pode ser vulnerável, falar de medos e desejos sem correr o risco de ser rejeitado por causa da falta de jeito na cama.

A longo prazo, os casais que fizeram uma pausa apresentam níveis mais elevados de satisfação na relação. A razão é simples: já aprenderam a falar antes de aprenderem a interagir fisicamente, o que constrói uma competência sustentável para a resolução de conflitos.

É claro que a regra rígida não funciona para toda a gente e para todos os casais, mas o próprio princípio de “abrandar” é universal. Se uma pessoa se vai embora só porque não conseguiu sexo no segundo encontro, não estava à procura de uma relação, estava à procura de acesso.

É importante compreender: a recusa de intimidade rápida não é um castigo para o parceiro nem um teste “aos piolhos”. Trata-se de respeitar os seus próprios limites e de perceber que o seu corpo não é um instrumento para o impedir.

Os psicólogos comparam o sexo precoce com o lançamento dos alicerces de uma casa que ainda não foi construída. Quando os alicerces são lançados à pressa, as paredes racham com a primeira carga doméstica.

Saber dizer “não” no início da viagem aumenta, paradoxalmente, as hipóteses de um “sim” forte no futuro. É um filtro que elimina os companheiros de viagem aleatórios e deixa apenas aqueles que realmente precisam de si, não do seu corpo ou estatuto.

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