As discussões são parte integrante de qualquer relação íntima, mas a forma como são resolvidas determina o destino futuro de uma determinada união familiar.
O diálogo construtivo permite transformar um conflito num ponto de crescimento, ao passo que a ignorância silenciosa dos problemas apenas os leva para o interior, relata o correspondente do .
Muitos casais cometem o erro de tentar provar o seu ponto de vista a todo o custo, esquecendo que a compreensão é mais importante numa relação do que ganhar uma discussão.
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Quando um parceiro ganha e o outro perde, a própria ligação entre eles é afetada, criando distância e ressentimento.
A técnica da escuta ativa ajuda a reduzir o grau de tensão, permitindo que cada um se exprima sem interrupções e conclusões prematuras por parte do interlocutor. É necessário repetir as palavras do parceiro com as suas próprias palavras para garantir que a informação é corretamente percebida e para eliminar interpretações erradas.
As emoções sobrepõem-se muitas vezes à razão, pelo que os psicólogos recomendam que se faça uma pausa antes de continuar uma conversa se os sentimentos se tornarem demasiado intensos e incontroláveis.
Alguns minutos de silêncio dão-lhe a oportunidade de se acalmar e voltar a discutir factos em vez de insultos ou ataques pessoais.
É importante separar a personalidade de uma pessoa das suas acções, criticando acções específicas em vez de discutir traços de carácter ou erros do passado. Frases como “tu sempre” ou “tu nunca” são entendidas como um ataque à pessoa, provocando uma reação defensiva em vez de uma vontade de cooperar.
A procura de um compromisso requer flexibilidade de pensamento e uma vontade de ceder em pequenas coisas para preservar as grandes coisas que constituem o valor da própria relação.
Por vezes, é melhor abdicar de princípios numa questão doméstica para não destruir a confiança que foi construída ao longo de meses ou anos.
O humor pode ser uma óptima ferramenta para desanuviar uma situação, desde que não contenha sarcasmo ou piadas escondidas sobre os pontos sensíveis do seu parceiro. Ser capaz de rir de uma situação em conjunto mostra que o problema não é um desastre e pode ser resolvido trabalhando em conjunto.
O contacto físico durante a reconciliação ajuda a restaurar o equilíbrio hormonal, baixando os níveis de cortisol e aumentando a oxitocina no sangue de ambos os cônjuges.
Um abraço ou um simples toque de mão transmite segurança ao cérebro, recordando-lhe que estão do mesmo lado das barricadas.
Evitar certos tópicos desencadeadores em momentos de cansaço ou stress evita brigas desnecessárias que muitas vezes surgem da irritação por nada. É preferível adiar uma conversa séria para o fim de semana, quando ambos os parceiros estão descansados e prontos para absorver a informação.
Admitir a sua culpa não torna a pessoa fraca, mas demonstra força de carácter e responsabilidade pelas suas palavras ou acções.
Um pedido de desculpas sincero e sem desculpas pode extinguir instantaneamente o fogo do mal-entendido entre pessoas próximas.
Os controlos regulares da relação podem ajudar a identificar conflitos emergentes numa fase inicial, evitando que se transformem numa crise global de confiança e respeito. Perguntar como se sente em relação à sua relação abre espaço para a honestidade e a prevenção.
Planear o futuro em conjunto cria uma sensação de equipa em que ambos os participantes caminham na mesma direção, apesar dos desacordos actuais e das dificuldades temporárias.
Um objetivo comum une esforços, tornando as disputas domésticas menos importantes no contexto das tarefas e sonhos globais da vida.
O respeito pela opinião do outro, mesmo em caso de desacordo total, é a base de uma comunicação saudável no seio de um casal adulto. O direito a ter o seu próprio ponto de vista deve ser estritamente respeitado para que ninguém se sinta deprimido ou sem poder em casa.
Muitas vezes, os conselheiros externos apenas agravam a situação, pelo que é preferível que os pormenores dos conflitos pessoais sejam deixados no seio do casal, sem a intervenção de familiares ou amigos.
As pessoas de fora não conhecem todo o contexto e podem dar uma recomendação que destrua o frágil equilíbrio entre os cônjuges.
Concentrar-se nas qualidades positivas do seu parceiro ajuda a suavizar a perceção dos aspectos negativos, recordando-lhe a razão pela qual escolheu essa pessoa em primeiro lugar. Lembrar-se dos bons momentos cria um amortecedor emocional que protege a relação de um colapso total durante os momentos de desentendimento agudo.
A aprendizagem de competências de comunicação não violenta permite-lhe exprimir o seu descontentamento sem agressividade, utilizando mensagens “eu” em vez de mensagens “tu” acusatórias para a pessoa amada. Isto reduz a reação defensiva do interlocutor e aumenta as hipóteses de ser ouvido e compreendido corretamente à primeira vez.
A ajuda profissional não é um sinal de fraqueza ou de fracasso do casal, mas uma ferramenta para adquirir novos conhecimentos e estratégias comportamentais em situações difíceis.
O terapeuta actua como um árbitro neutro, ajudando a passar o conflito de uma fase destrutiva para uma discussão construtiva.
A harmonia na família não é alcançada pela ausência de discussões, mas pela capacidade de restaurar rápida e eficazmente a comunicação após os inevitáveis choques de interesses e opiniões.
Um trabalho constante sobre a qualidade da interação transforma o casamento num porto seguro onde todos se sentem aceites e amados.
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