É realmente necessário dormir 8 horas por noite: os cientistas responderam a esta pergunta popular

O neurologista Guy Lesziner observou que há cada vez mais provas de uma ligação entre a falta de sono e o declínio cognitivo na velhice.

Estes números baseiam-se numa investigação do British Biobank / foto: pixabay.com

O sono é um verdadeiro superpoder que nos torna mais inteligentes, mais saudáveis e mais felizes. Mas qto tempo de sono é suficiente? E será que as insónias são assim tão prejudiciais, diz o The Gdian.

O Gdian refere que, na última década, nos foi dito que dormir é um meio legítimo de melhorar o desempenho. Ao mesmo tempo, levanta a questão de saber se dormir apenas seis horas por noite poderá causar problemas de saúde no futuro.

O artigo sublinha que a privação crónica de sono é muito prejudicial para os seres humanos.

“Uma descoberta perturbadora e relativamente recente é o sistema glinfático, um mecanismo de excreção de resíduos que elimina as proteínas “mal dobradas” do cérebro durante o repouso, como os beta-amilóides, que se encontram no cérebro dos doentes de Alzheimer”, refere a publicação.

Russell Foster, professor e diretor do Instituto de Neurobiologia do Sono e dos Ritmos Circadianos da Universidade de Oxford, partilhou dados que sugerem que dormir mal na meia-idade é um fator de risco de demência na velhice, porque o cérebro perde a capacidade de eliminar eficazmente estas toxinas.

“Há cada vez mais provas de uma ligação entre a falta de sono e o declínio cognitivo na velhice. Mas também está associada a um risco acrescido de doenças cardiovasculares e de acidentes vasculares cerebrais. Sabemos também que o sono afecta toda uma série de outros processos fisiológicos, como o sistema imunitário, o sistema respiratório, etc. Afecta até a forma como o cérebro processa os sinais de dor e torna-o mais vulnerável a eles. O sono afecta todos os sistemas de uma forma ou de outra”, acrescenta Guy Lesziner, neurologista especializado em perturbações do sono.

No entanto, a publicação refere que, se uma pessoa não estiver a dormir as sete a oito horas recomendadas, isso não significa necessariamente que esteja em risco.

A publicação explica que estes números se baseiam numa investigação do British Biobank, uma base de dados biomédicos a longo prazo que acompanha a vida de meio milhão de voluntários.

Os dados ajudam os cientistas a estudar a forma como a genética, o estilo de vida e o ambiente interagem e causam doenças. No entanto, como sublinha o artigo, isto não significa que sejam perfeitos.

“Numa questão como o sono, não se pode simplesmente pegar numa média e dizer que é essa a qtidade de tempo de sono de que toda a gente precisa”, observou Foster.

A publicação refere que, para perceber se uma pessoa está a dormir o suficiente, deve prestar atenção à forma como se sente com a qtidade de sono que está a ter.

“Há pessoas que precisam de dormir menos do que outras para manter o mesmo nível de saúde cognitiva, psicológica e fisiológica, e há outras que são geneticamente predispostas a dormir muito tempo e precisam de muito mais”, disse Leszciner.

Acrescentou que se uma pessoa dorme seis horas por noite mas não se sente cansada, não tem sintomas cognitivos e não tenta dormir mais se tiver tempo, é um bom indicador de que tem uma necessidade genética de sono curto.

“Um mau sinal é a irritabilidade, a apatia ou a dependência excessiva de cafeína”, sublinha Foster.

Ao mesmo tempo, a publicação refere que a insónia, ou seja, a incapacidade de adormecer apesar de o querer fazer, é uma condição fisiológica diferente da deficiência crónica de sono.

“A maneira mais fácil de ver a diferença é que se pegarmos numa pessoa com deficiência de sono e lhe dermos uma cama durante o dia, ela adormece, ao passo que as pessoas com insónia não adormecem”, explicou Leszciner.

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A My noticiou anteriormente que algumas pessoas, mesmo depois de um sono de 8 horas, podem não se sentir alerta de manhã. A psicóloga Wendy Troxel explicou a razão.

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