Muitas vezes não nos apercebemos de como transferimos as expectativas que tínhamos em relação à nossa mãe ou ao nosso pai para a pessoa que amamos.
Esperamos que ele elogie como o papá não elogiou, ou que ela cuide como a mamã não cuidou, e comportamo-nos como crianças ressentidas com o nosso parceiro, relata o .
Nestes momentos, deixamos de ver à nossa frente um igual, um adulto com a sua própria vida e sentimentos. Vemos uma figura que é suposto dar-nos o que não recebemos quando éramos crianças e ficamos inevitavelmente desapontados.
Pixabay
O crescimento no amor começa no momento em que deixamos de exigir funções parentais ao nosso parceiro. Quando percebemos que a sua tarefa não é curar as nossas velhas feridas, mas construir uma nova e verdadeira relação connosco.
Isto não significa que o parceiro não possa apoiar, confortar, mostrar cuidado. Significa que estas manifestações se tornam uma dádiva e não uma obrigação, que temos o direito de exigir pelo direito da criança ofendida.
A experiência terapêutica mostra: as mudanças mais profundas nos casais ocorrem quando cada um assume a responsabilidade pelo “lugar não amado” do seu filho. Quando deixam de responsabilizar o parceiro pela sua autoestima e começam a construir apoio dentro de si próprios.
Ver o seu parceiro como um adulto é permitir-se ser diferente, diferente dos seus pais e não obrigado a substituí-los. Significa permitir-se ser um igual, não um eterno devedor ou eterno credor de amor.
E quando isso acontece, a relação deixa de ser uma terapia e passa a ser uma vida em que dois adultos escolhem estar juntos. Não porque têm de o fazer, não porque não conseguem encontrar outro, mas porque o seu mundo se torna maior com essa pessoa.
Subscrever: Ler também
- Porque é que é preciso perder para ganhar nas relações: o paradoxo do soft power
- Porque é que testamos o amor com testes dolorosos: o jogo do dar e receber

