Como ajudar os pais a compreender o mundo digital

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Há alguns anos, a ajuda tecnológica limitava-se à instalação de uma televisão ou de um computador

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Smartphones, aplicações, serviços bancários em linha e inteligência artificial – o mundo de hoje está a tornar-se cada vez mais digital, mas com isso surge um novo tipo de cuidados – os cuidados tecnológicos.

Há apenas alguns anos, a ajuda tecnológica limitava-se à instalação de uma televisão ou de um computador. Hoje em dia, porém, as ferramentas digitais tornaram-se uma parte importante das actividades diárias básicas, como pagar contas, marcar consultas médicas, comprar bilhetes ou mesmo aproveitar descontos em lojas. O Washington Post explica porque é que ajudar os pais com os gadgets já não é uma coisa pequena, mas sim uma parte integrante da vida quotidiana.

Neste contexto, está a surgir um novo conceito – cuidados tecnológicos. Não se trata de uma ajuda pontual, mas de um apoio contínuo que permite aos idosos manterem-se independentes no mundo digital.

Cuidados tecnológicos – ajudar uma pessoa a utilizar ferramentas digitais, como serviços bancários em linha, aplicações móveis, serviços electrónicos e plataformas digitais. Costumava ser um “explicar como funciona” ocasional, mas atualmente é um processo contínuo sem o qual é difícil manter uma vida plena.

E o estereótipo de que as pessoas mais velhas “não querem utilizar a tecnologia” já não funciona. Após a pandemia, muitos passaram a utilizar ativamente a Internet, mas a necessidade de apoio mantém-se.

Complexidade das tecnologias

O problema não é apenas a complexidade, mas a mudança constante, como actualizações regulares, novas interfaces, alterações na disposição dos botões e novas funcionalidades. Isto é especialmente verdadeiro para as soluções modernas baseadas na inteligência artificial que podem alterar a interface para se adaptarem ao utilizador. Por um lado, trata-se de personalização, mas, por outro, de um “alvo móvel” ao qual é difícil habituar-se.

Os especialistas chamam a este fenómeno “taxa de inovação”, ou a “taxa de inovação” convencional. Cada atualização obriga uma pessoa a reaprender, a reorganizar hábitos e a gastar mais recursos cognitivos. E se para os utilizadores mais jovens isto é apenas um incómodo, para os utilizadores mais velhos é um verdadeiro desgaste da memória e da atenção.

Resposta do cérebro à mudança digital

Para navegar em novas interfaces, utilizamos a chamada capacidade de pensamento flexível para resolver novos problemas e adaptarmo-nos. À medida que envelhecemos, esta capacidade diminui naturalmente, pelo que as frequentes mudanças na interface a tornam difícil de utilizar, as acções familiares tornam-se “novas” e há uma sensação crescente de confusão. Não se trata de uma questão de desejo, mas de função cerebral.

Hoje em dia, a ajuda com a tecnologia já não se limita a “explicar uma vez”, mas sim a um apoio regular, explicações após cada atualização e ajuda em situações críticas.

De facto, trata-se de uma nova forma de assistência que está a tornar-se tão importante como a ajuda doméstica tradicional.

O que pode fazer a diferença

Os especialistas acreditam que o futuro está nas soluções que têm em conta não só o utilizador, mas também a pessoa que está a ajudar.

  • Ferramentas de acessibilidade cognitiva. Assistentes de IA que o ajudam a encontrar as funcionalidades certas, dicas em tempo real e interfaces simplificadas.
  • Soluções para familiares e ajudantes. Acesso partilhado a serviços bancários, possibilidade de deixar instruções personalizadas e definições de acesso flexíveis.

É importante que esses instrumentos sejam diferentes para situações diferentes.

O mundo está a avançar e as ferramentas digitais estão a ficar mais inteligentes. Mas, juntamente com isso, vem uma responsabilidade crescente de as tornar compreensíveis para todos. Os cuidados tecnológicos já não são uma exceção, mas sim uma nova realidade e a principal tarefa do futuro não é apenas criar inovações, mas sim torná-las acessíveis, estáveis e humanas. Afinal de contas, a tecnologia não deve esgotar, mas sim ajudar a manter a independência e a qualidade de vida em qualquer idade.

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