Cientistas japoneses da Universidade de Adzabu realizaram uma experiência que comoveu o mundo inteiro: provaram que o olhar de um cão para o seu dono não se limita a pedir um pedaço da mesa.
Quando um animal de estimação e um humano olham nos olhos um do outro durante mais de meia hora, os níveis de oxitocina sobem sincronizadamente nos seus corpos, com os cães a registarem um aumento de 57% nos níveis de oxitocina e os donos a registarem um aumento de 300% nos níveis de oxitocina.
É a mesma química que une uma mãe e o seu bebé recém-nascido.
No entanto, a oxitocina é apenas a ponta do icebergue. O neurocientista americano Gregory Burns foi mais longe e colocou cães numa máquina de ressonância magnética para perceber o que se passava nas suas cabeças.
Descobriu-se que o núcleo caudado do cérebro – o centro da expetativa de prazer – nos cães é ativado mais fortemente apenas pelo cheiro do dono, e não por um cão familiar ou mesmo por uma guloseima. O cheiro de uma pessoa favorita é uma droga de felicidade pura para um cão.
Curiosamente, o mecanismo de reconhecimento da fala nos cães está organizado de uma forma quase humana. Investigadores húngaros da Universidade de Budapeste descobriram que o hemisfério esquerdo do cérebro do cão é responsável pelo significado das palavras, enquanto o hemisfério direito é responsável pela entoação.
Um animal de estimação “percebe” realmente o que está a dizer, mas apenas se a entoação agradável corresponder ao significado aprovador das palavras. Um cão não pode ser enganado por afeto falso.
Ao mesmo tempo, a simpatia e a confiança numa pessoa são inerentes a um cão a nível genético.
Cientistas suecos da Universidade de Linköping identificaram cinco genes específicos no 26º cromossoma que determinam a rapidez com que um cão recorre a um humano para obter ajuda numa situação difícil.
Os portadores homozigóticos de certas variantes genéticas estão muito mais dispostos a estabelecer contacto do que os seus familiares.
No entanto, como em qualquer relação, a ligação pode quebrar-se. Os veterinários alertam para o facto de que, se o dono utilizar métodos de educação severos ou, pelo contrário, se fizer demasiadas vontades ao animal, este deixa de perceber a pessoa como uma “mãe” e fecha-se ou tenta dominar.
A lealdade do cão não é dada de antemão, deve ser conquistada através da confiança diária.
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