Cada gosto sob a fotografia de um colega bonito, cada comentário sobre um ex, cada subscrição de uma conta duvidosa torna-se um campo de batalha.
Monitorizamos, analisamos, tiramos conclusões, fazemos cenas num lugar vazio, esquecendo que por detrás do ecrã – apenas a vida, relata o correspondente do .
A luta pela atenção nas redes sociais é uma guerra que não pode ser ganha, porque o recurso da atenção é infinito apenas digitalmente.
Pixabay
Pode banir os gostos mas não pode banir as visualizações, pode remover os subscritores mas não pode remover o desejo.
Os psicólogos notam: quanto mais controlamos a vida virtual do nosso parceiro, menos energia nos sobra para a vida real. A energia gasta em rastrear e questionar poderia ter sido usada para um encontro, uma conversa, um simples abraço.
Todos perdem com esta luta: um sente-se acuado, o outro sente-se perpetuamente desconfiado e infeliz.
E aquele que provoca o ciúme muitas vezes nem sequer sabe qual é o seu papel nesta peça, porque para ele é apenas um ladrador.
Estudos demonstram que os casais que concordaram em não se seguirem um ao outro na Internet têm vidas mais calmas e felizes. Recuperam o seu direito ao espaço pessoal sem transformar cada espirro num motivo de escândalo informativo.
Deixar de lutar pela atenção nas redes sociais significa acreditar que a atenção real é mais importante do que a atenção virtual. Que um abraço no sofá é mais valioso do que uma centena de gostos na sua fotografia, e que uma conversa ao jantar é mais valiosa do que todos os comentários do mundo.
Quando as tréguas digitais chegam, libertam uma enorme quantidade de energia que costumava ir para a guerra.
E essa energia pode ser gasta em estarmos realmente juntos, em vez de fingirmos que estamos juntos, sentados ao telefone.
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